Sobre
Quem sou eu? Bem...
Sou apenas uma mulher cansada do estado em que as coisas estão na literatura, especialmente no gênero de fantasia sombria. O que antes era uma forma adulta de trabalhar com o fantástico se tornou uma demonstração de decadência genérica e ruínas desprovidas de história, onde o “interpretativo” é usado como muleta para furos de roteiro, conveniências narrativas para facilitar a vida do autor e traição de suas próprias regras.
A verdadeira arqueologia narrativa, vista em clássicos como A Máquina do Tempo, de Wells, e até 1984, de Orwell, é sempre fundada em lógica e regras consistentes, onde há uma verdade, mesmo que ela seja inacessível ou incompleta.
A verdadeira crueldade e peso — o verdadeiro dark — não vêm da quantidade de corpos e decadência que você mostra, mas sim da forma como os eventos afetam os personagens e suas decisões em meio a tragédia, horror e melancolia. De nada adiantam rituais bizarros, niilismo e vazio, se a natureza do horror é escondida e jogada debaixo do tapete para pintar uma estética gótica desprovida de profundidade, coberta por um verniz de glitter cor-de-rosa para conveniência autoral.
O meu verdadeiro propósito...
É tentar trazer de volta a fantasia com foco em consequências. Apesar do meu senso de humor e escrita de estilo cotidiano e cru (sem o gótico rebuscado), eu ainda tento sempre explorar questões éticas e até filosóficas a partir do fantástico, mesmo em cenários belos ou melancólicos.
Sempre, além disso, tentando garantir que minhas promessas narrativas estejam sendo cumpridas e que nada seja aleatório ou arbitrário. Eu tento garantir que o interpretativo nunca atropele a lógica e a construção sólida do mundo, criando uma arqueologia onde a verdade existe, para quem quiser buscá-la.
Meu maior desejo é poder criar um acervo de histórias onde o leitor é respeitado, onde os mais detalhistas e observadores são recompensados, e mesmo os casuais saiam pensando que foi um tempo bem gasto. Para que assim, talvez, aqueles que já foram traídos pela arrogância de um autor, por um final ruim ou por uma decisão que rompe a lógica da própria história ou da psicologia humana, encontrem algum alívio em meio às minhas páginas. A quem já passou por isso e está aqui: somos iguais, vítimas da mesma dor (e raiva).
Então, seja bem-vindo ao Poente!
O momento onde a dor e a beleza se encontram, caminhando para a noite e para o próximo alvorecer.